Diabetes é contagioso?

Entenda sobre a pesquisa que encontrou propriedades infecciosas da doença

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A princípio, pensar na possibilidade do diabetes ser contagioso parece loucura. Mas, na verdade, alguns pesquisadores têm considerado que a condição pode, teoricamente, ser transmitida entre indivíduos.

As causas para o desenvolvimento do diabetes ainda são um mistério na medicina, mas algumas características comuns foram determinadas. Uma delas, observada recentemente em biópsias de pâncreas de pacientes com diabetes tipo 2, é um frequente acúmulo de amilóide (fibras microscópicas de peptídeos e proteínas) nas regiões do pâncreas que secretam a insulina, conhecidas como ilhotas de Langerhans.

Essas amilóides também podem ser observadas em outros órgãos, como o coração, por exemplo. Em cada um dos órgãos onde elas se acumulam, vão progressivamente causando sua disfunção, levando a doenças graves com o tempo.

As alterações que essas fibras causam no pâncreas são nas funções das suas células, o que pode contribuir para o desenvolvimento do diabetes. Mais do que isso, algumas das proteínas encontradas nas ilhotas do pâncreas de diabéticos apresentam uma estrutura peculiar, semelhante aos príons – partículas protéicas infecciosas.

A partir dessa informação, cientistas da Universidade do Texas, em Houston, nos EUA, tiveram sucesso ao induzir diabetes tipo 2 em animais de laboratório, simplesmente injetando as proteínas semelhantes ao príon (chamadas de IAPP) que infiltram no pâncreas de diabéticos.

O estudo, publicado pela revista Journal of Experimental Medicine em agosto de 2017, foi liderado pelo Dr. Claudio Soto.

Para chegar a esta conclusão, foram cumpridas várias etapas ao longo do estudo. Desde células de pâncreas cultivadas em placas no laboratório, onde induziram o depósito de IAPP, até o estudo final onde injetaram extratos de IAPP em animais e induziram os sinais típicos do diabetes.

Depois disso, os cientistas analisaram os pâncreas dos camundongos injetados com o IAPP. O resultado? Diminuição da produção de insulina e a morte progressiva das células das ilhotas de Langerhans – o mesmo que encontrado no pâncreas de pacientes diabéticos.

É importante ressaltar que esse resultado não significa que o diabetes é uma doença contagiosa, por enquanto o que foi comprovado é que é possível induzir um quadro clínico e laboratorial típico do diabetes.

O Dr. Soto, líder da pesquisa, afirma que ainda são necessários mais estudos para conseguir constatar a possibilidade de contágio do distúrbio hormonal entre indivíduos.

Nestes próximos estudos, o objetivo é o teste de riscos de transmissão do diabetes, através de tecidos ou fluidos, como transfusão de sangue ou a ingestão de alguns alimentos como a carne. Por enquanto, é uma hipótese científica interessante, mas as implicações desses resultados iniciais, se confirmadas, podem ter um impacto enorme, tanto na prevenção quanto no controle da doença. Imagina?

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