Tristeza, depressão e Diabetes. Existe alguma relação?

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Acontecimentos inesperados e nem sempre agradáveis, questionamentos, problemas financeiros, pessoais, saúde…muitas coisas podem desencadear um processo de tristeza que muitas vezes nos impede de reagir, levantar e seguir em frente. Atrapalham, desanimam, tiram o foco. Para alguns, o processo é passageiro, dura dias. Para outros, o tempo se arrasta e parece não passar. E cada pessoa reage de uma forma a acontecimentos assim. Quando o poder de reação, o desanimo e outros sintomas negativos se prolongam por muito tempo é necessário atenção.

A depressão e o diabetes 

A depressão tem um impacto nocivo sobre o controle glicêmico e o Diabetes mal controlado intensifica os sintomas depressivos.

Foi publicado no site da SBD há uns quatro anos atrás , com nome fictício, o histórico de uma paciente que chegou na Sociedade com um quadro agudo de depressão , com média glicêmica semanal de 476 mg / dL. Ela possuía problemas familiares sérios, baixa auto- estima, falta de estímulo para se cuidar. Com o trabalho de uma equipe multidisciplinar, ao longo de algumas semanas, a paciente foi recuperando a auto-estima, a alegria de viver, o animo para se cuidar. Passou a se relacionar melhor e a encarar a vida com outra perspectiva.

Ser portador de uma doença crônica, seja ela qual for, pode nos deixar mais suscetíveis a desenvolver uma depressão. Isso ocorre porque, muitas vezes, não estamos preparados, nem dispostos emocionalmente, a atender às exigências diárias do tratamento. Em relação à pessoa que tem diabetes não é diferente, pois diabetes mal controlado, como já dito anteriormente,  aumenta bastante as chances de ter depressão.

De acordo com estudo publicado nesta mesma reportagem da SBD , a depressão está associada à hiperglicemia e a um risco aumentado de complicações do diabetes.

No sentido oposto, o alívio da depressão associa-se a uma melhora significativa do controle. A probabilidade de depressão na população diabética foi duas vezes maior do que a da população não diabética. Mostrou ainda que a prevalência de depressão foi significativamente maior em mulheres diabéticas (28%) do que em homens (18%).

A ADA (American Diabetes Association) publica uma orientação geral sobre o problema da depressão em portadores de diabetes , na qual ressalta os seguintes pontos:

  • Sentir-se triste de vez em quando é normal. Mas, algumas pessoas sentem tristeza, aparentemente sem causa, que simplesmente não desaparece. Sentindo-se assim na maior parte do dia, durante duas semanas ou mais, pode ser um sinal importante de depressão.
  • Estudos clínicos demonstram que portadores de diabetes têm um risco maior de depressão, embora não haja explicações fáceis para esse fato.
  • Quando o paciente não consegue obter o controle glicêmico, ou quando enfrenta as complicações do diabetes, ele “se convence” de que perdeu o controle sobre a doença.
  • A depressão pode promover um ciclo vicioso, prejudicando o controle da doença e dificultando a realização de tarefas necessárias para atingir o bom controle glicêmico.
  • A falta de controle glicêmico pode levar a sintomas que simulam a depressão. Níveis muito altos ou muito baixos de glicemia podem promover a sensação de cansaço e ansiedade.
  • Sempre que possível, uma orientação de profissional especializado em saúde mental e com experiência em diabetes pode ajudar bastante. O tratamento com antidepressivos pode ser necessário e, para tal, um profissional médico deve ser consultado.
  • Na presença de sintomas de depressão, não se deve esperar muito para buscar ajuda. Procure informar-se mais sobre a doença e procure serviços multidisciplinares de atenção ao portador de diabetes.

O diagnóstico precoce da depressão pode acelerar seu tratamento. Portanto, esteja atendo aos sinais mais comumente encontrados já nas fases iniciais do processo depressivo:

  1. Perda da sensação de prazer em fazer coisas que você costumava gostar.
  2. Tristeza sem causa aparente, principalmente pela manhã.
  3. Alteração nos hábitos de sono. Despertar precoce e dificuldade em voltar a dormir.
  4. Alterações importantes no apetite, para mais ou para menos.
  5. Dificuldade de concentração.
  6. Sensação de cansaço e perda de energia.
  7. Ansiedade, nervosismo ou sentimento de culpa.
  8. Pensamentos suicidas ou de auto-agressão.

A presença de três ou mais desses sintomas, ou de apenas um ou dois sintomas, mas associados a uma sensação de tristeza por duas semanas ou mais, indica a necessidade do paciente aceitar que esteja em estado depressivo e, por isso, deve buscar ajuda com profissionais especializados e competentes na assistência ao portador de diabetes.

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É importante também salientar que tristeza é diferente de depressão. Quando se está triste por qualquer motivo, a pessoa tem momentos de bom humor e consegue realizar as tarefas do dia-a-dia; já na depressão, há uma tristeza mais prolongada, interferindo em todos os aspectos da vida, inclusive na execução das tarefas diárias pela falta de vitalidade e ânimo.

Existem ainda alguns mitos que foram criados em torno da depressão e que, muitas vezes, atrasam a procura pelo tratamento adequado, como: “Depressão passa só com pensamento positivo”; “Depressão é preguiça, é falta de força de vontade”; “Depressão é doença só de adulto”; etc. Além disso, sabe-se que uma grande parte dos deprimidos não procuram ajuda profissional, tentam se tratar com receitas caseiras, uso de vitaminas, busca religiosa e outros recursos. Muitas vezes, isso ocorre devido ao preconceito em relação ao psiquiatra ou ao psicólogo.

Em termos práticos do tratamento, é importante saber que as pessoas que têm diabetes e depressão sofrem muito mais do que as que têm apenas diabetes. Com a depressão os custos médicos são mais elevados e há maiores possibilidades do aparecimento de complicações do diabetes, já que a pessoa não tem ânimo para se cuidar. Logo, tanto no diabetes como na depressão, tomar a medicação recomendada, seguir uma alimentação equilibrada, além da atividade física e apoio psicológico (se necessário) irão propiciar um melhor equilíbrio físico e emocional.

 

Fontes: Portal Diabetes / SBD

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