Clube do Diabetes do Tour de Cure!!!! ( confira aqui como foi!)

A PREPARAÇÃO PARA O GRANDE DIA ( a odisséia para chegar em Aurora)

Há um bom tempo eu não dava um passo como  o que dei neste fim de semana.

Quem me conhece sabe que sou uma sonhadora nata, que corro atrás do que acredito, mas confesso que eu andava um tanto acomodada em relação aos meus interesses de um modo geral. Tentei de várias formas voltar para o mercado, as oportunidades que apareceram não eram boas. Acho que estava “recolhida dentro da concha”….e resolvi sair do casulo!

Como já contei em outro post, minha irmã havia me chamado para ir a Chicago, eu havia titubeado por conta do dólar e da falta de grana, até que apareceu a chance de participar do Tour de Cure. Ah, o Tour de Cure…venho sonhando com esse evento há alguns vários anos….e justo agora?

A Anick ( irmã) estaria em Chicago a partir de 11 de junho. Eu iria dia 15, se fosse, e  o Chicagoland ficava um tanto afastado da cidade, uma hora e meia de trem, e cerca de 45 minutos de carro de Downtown Chicago. Como só poderia entrar no apartamento do amigo da minha irmã na segunda 9 DIA 15) e o passeio foi um dia antes disso, não teve como: tive que VIR!!!!! =D  Planejei então embarcar na sexta feira, dia dos namorados.

NÃO BASTA SER MARIDO, TEM QUE PARTICIPAR!

Sabe onde foi nosso dia dos namorados? No Café Suplicy do terminal 3 de Guarulhos. O Luiz foi guerreiro, me levou até lá antes das 7 da manhã ( além do rodízio o check in era as 10:30). E como foi doído madrugar, e ainda depois de uma noite super mal dormida! E deixar o beagle com o ossinho me chamando pra brincar? Chorei!

Mas, eu tinha um propósito muito grande para ir!!!! Go Red Riders!!! ( grito de guerra que todos gritavam para os diabéticos que estavam pedalando)

Essa é a camiseta dos diabéticos que pedalaram

Essa é a camiseta dos diabéticos que pedalaram

 

O QUE O AVIÃO É CAPAZ DE FAZER COMIGO

Eu não gosto muito de avião ( alguém gosta, por acaso?) , e sofro desgraçadamente de dores nas pernas em vôos longos. Por isso,  fui no tal assento conforto. Nove horas. Ate aí, ok. Confortáaaaavel não é, mas ajudou bastante no destino final, eu fiquei um pouco menos destruída. Só no final é que comecei a sentir pra valer o peso de 9 horas de vôo.

Mas havia uma conexão  no meio do caminho. E o pessoal da Cia Aérea não me informou corretamente como deveria fazer com as malas ( normalmente nos EUA vc tem que, na entrada do país, pegar as malas, passar no raio x e despacha-las de novo). Eu só tinha duas horas para isso. E aí começou a complicação, que fez a glicemia decolar junto com o 2o. Vôo: a mala demorou, me mandaram pra fila errada, tive que fazer um novo check in, e não precisava. Quase, por pouco. Que stress!

Já no outro voo, de cerca de duas horas e meia, completamente acabada, cansada, dor nas pernas e com a glicemia meio alta, pegamos algumas turbulências no caminho e eu , como morro de medo disso, fiquei bem nervosa. Bem nervosa.

Cheguei a Chicago com cerca de 01:30 horas de atraso, e ainda precisava pegar as malas, taxi, check in em hotel. Sabe quando parece que suas forças chegaram ao fim? Acho que esse foi o dia!  E com fome, sem ter onde comer ( no voo interno não comi nada), acabei me rendendo ao mega calórico e booster de Cho ( amado) Chai latte , com um folhado. Talvez com umas 2000 calorias . Mas…..essa era a única opção.

Chegando no hotel , que na verdade era um Hostel ( para uma noite apenas). Lugar legal, lotado, moderninho. MAS, como a bruxa estava solta, fui super maltratada pelo recepcionista. Ca-po-tei.

CORRERIA, STRESS DE AEROPORTO, CANSAÇO E ALIMENTAÇÃO INADEQUADA = DESCONTROLE.

Glicemia antes de dormir depois de tantos acontecimentos e pouco sono e comida: 150

Glicemia da manhã depois de uma noite meio agitada, mas melhor que as utlimas: 280/ Tchan!

PORQUE ALIMENTAÇÃO E DESCANSO FAZEM TANTA FALTA EM UMA MUDANÇA DE AMBIENTE?

Eu que não sou muito apaixonada por junkie food, costumo sofrer quando não tenho opções saudáveis. E sábado foi bem por aí. O café da manhã do hostel era péssimo: pasta de amendoim, manteiga, geleia doce, suco de laranja doce, pão, muffin. E só. Claro, comi mal, saí correndo para o trem.

Embarcando no trem para a cidade de Aurora

Embarcando no trem para a cidade de Aurora

Só aí comecei a relaxar de fato. Tentei não ficar muito tempo sem comer, e aproveitei o mix de nuts que comprei na noite anterior , hidratei bem. Foi muito bom ter feito isso, pois só fui conseguir almoçar á pelas 16h00.

Confesso que estava tão cansada que, quando voltei para o quarto (que não tinha restaurante), o recepcionista providenciou uma generosa garrafa de leite e fui dormir.

NOITE MAL DORMIDA PRÉ PEDALADA? NAAAAO!!!

Tem uma coisa que não dá  pra controlar: nossa cabeça! Eu estava muito agitada!!!! Não era medo, era ansiedade mesmo! Eu iria participar da volta de bike mais importante da minha vida!! E no meio de gente que eu nunca vi!!!!

Dormi mal, acordei varias vezes. E saí voando para o momento X. Vejam os vídeos do you tube!!!!!

 https://youtu.be/wAH_7gC73qM

O GRANDE DIA CHEGOU!

THE RIDE OF MY LIFE

Ah, quem é da minhe geração vai se lembrar daquela musica do filme Dirty Dancing….pois eu fiquei, naquela manhã, cantando a musica sozinha e fazendo o trocadilho “time”por “ride”. Me senti uma criança feliz! =D

Now I’ve had the RIDE of my life

I'M HERE!!!!!

I’M HERE!!!!!

No, I’ve never felt like this before

Yes I swear it’s the truth

And I owe it all to you

Cheguei um pouco antes das 9, fui para a recepção, peguei minha papelada, bike, etc. Conversei com várias pessoas, todos ficavam muito animados quando eu falava de onde era!!!! E claro, surpresos…o que fazia uma brasileira no meio dos Estados Unidos? EM AURORA?  E sozinha???Foi muito legal interagir com essas pessoas!!!!! Olha só o que o Diabetes, e o Clube do Diabetes, me proporcionou!!!!

OBS: Eu mudei minha rota de 10 milhas para 20 milhas ( cerca de 36 km. Ah, eu não fui até Aurora pra pedalar só 16 km!!! 😉 )

Camiseta a postos, era hora de procurar pessoas do Team Red. Como não conhecia ninguém pessoalmente, acabei não encontrando as pessoas do time que fariam a minha rota….mas lá fui eu com minha camiseta vermelha e  entrei no meio da galera pronta para começar!!!!! Aliás, pelo menos pra mim, esse tipo de atividade você até faz com amigos, mas não dá pra ficar junto o tempo todo , porque cada um tem um ritmo!!!!!

SENTIMENTOS A FLOR DA PELE 

É difícil descrever tudo o que eu senti ao longo das 3 horas de pedalada. Fiquei um pouco perdida, claro, mas estava tão feliz, tão a vontade, tão empolgada, que tudo, tudo fluiu.

A paisagem era linda, o caminho foi todo costeando o Fox River, passando por cenários que vemos em filmes….aquelas casas de madeira com gramados enormes de frente para o rio, passarinhos cantando, tudo tão calmo!!!! Passamos pro vilarejos, sempre torneando o parque ( anexei aqui o mapa e algumas fotos que fui tirando quando consegui).

Impressionada com a paisagem!!!

Impressionada com a paisagem!!!

RIDE 2

Haviam no percurso de ida e de volta 3 pontos para um rápido descanso, onde eram oferecidos agua, Gatorade, frutas e algumas comidinhas. Tudo muito bem pensado, com os voluntários sempre muito empolgados e atenciosos! Todos com aqueles sininhos balançando nos incentivando a pedalar, pedalar, pedalar.

E o mais legal: todos os diabéticos são identificados, pois usam a camisera vermelha dos Red Riders ( Ciclistas Vermelhos = diabéticos tipos 1 ou 2). Cada vez que um Red Rider passa, todos gritam “Go Red Rider! “ e muitas vezes, você grita para outro diabético!!!! =D

Depois de um tempo, as pessoas vão se “espalhando”, cada um no seu próprio passeio ( tentando manter a velocidade de cerca de 4,5 milhas / hora) , e eu fiquei alguns momentos sozinha….apreciando, curtindo, observando. Aquele era um momento tão meu, tão intimo e tão forte, que me emocionei em muitos momentos.

Nesse vídeo, na integra, vcs podem ver o que estou dizendo aqui 

Foi delicioso, foi fantástico. Não queria que tivesse passado tão rápido.

Depois , chegando à reta final, somos recebidos com uma senhora festa, pessoas gritando, sinos tocando, locutor desejando boas vindas….como se fosse uma competição. Mas nessa ná há vencedores….todos são! E todos os Red Riders tem a sua batalha diária e particular.

Todos recebem almoço e uma bebida ( sim, ganhamos uma cerveja! =D) , num momento de interação sensacional. Conheci pessoas muito legais, até uma casal que mora me Chicago, nascidos em São Francisco que, para minha surpresa, pedalam simplesmente porque o amigo do amigo tem diabetes. E ponto final. Isso talvez tenha sido o que mais me impressionou nos americanos que conheci nesta viagem: eles participam de uma causa até o fim.

ADA's volunteers

ADA’s volunteers

Ganhamos massagem, o Team Red, que eu me inscrevi, possuía uma mesa na ala vip, e foi ali que conheci um pedaço da equipe. OS voluntários eram sensacionais, já fiz amigos no Facebook!!!! Novos amigos! J

Me senti muito bem recebida, era realmente uma surpresa geral quando ficavam sabendo que eu era do Brasil. O que mais ouvi foi “você veio do Brasil só para pedalar?”. E na real,a grande razão dessa viagem foi mesmo essa pedalada. Chicago foi a consequência. Se não houvesse o Tour, dificilmente eu teria feito a viagem nesse momento…..

Canino voluntário ;)

Canino voluntário 😉

Tudo é muito organizado, a ADA ( American Diabetes Association ) foi simplesmente impecável em todos os aspectos. E as pessoas que estavam envolvidas no evento, idem. Comprometimento impecável. Eu, que trabalhei tantos anos organizando eventos na Industria Farmaceutica, não consegui encontrar um defeito! E olha que temos um olho bem clínico para isso!!!!!

Ah , se pudesse, se fosse possível, gostaria muito de organizar algo assim em meu país!!! Seria um orgulho para mim! Será que esse sonho se realizaria um dia

Quero agradecer profundamente a todos os que se envolveram com essa minha decisão e me apoiaram de alguma forma a concretizar essa viagem: meu marido, minha irmã e minha mãe, minhas amigas Julia, Monica ( que com o Hi Clean me fez pedalar com um uniforme sensacional!), Jean, Alexandre, e os outros amigos que também estão providenciando suas doações para a ADA. Obrigada por me ajudar a realizar este sonho!

Sim, essa foi a volta da minha vida. Foi importante porque a jornada foi minha, eu fiz tudo sozinha, me atirei no penhasco sem saber oque de fato iria encontrar. Encontrei pessoas maravilhosas, gentis, engajadas e que me mostraram que, quando se acredita em uma causa, deve-se seguir esse mote não importa o quão difícil isso vai ser. Basta ser perseverante, ser corajoso, ser gentil, e grato.

Mais do que realizar um sonho, isso foi um aprendizado muito inovador. Foi fantástico. E foi apenas o começo. Porque eu não vim até aqui só para dizer que pedalei em Chicagoland. Vim aqui para ver, aprender, e para levar isso comigo para  o Brasil. Afinal, agora eu SOU  uma Red Rider. E vou continuar a ser, e levar isso para o meu trabalho aí no Brasil.

Acompanhe algumas fotos e filmes pelo you tube e instagram. E obrigada mais uma vez por me acompanhar!

Go Red Rider!

*** Todas as fotos da viagem serão adicionas assim que eu chegar em Sampa. Lá contarei algumas experiencias com alimentação, perrengues, etc. Coisas que acontecem em todas as viagens, que fogem ao planejamento. E aí conto com calma como me saí dessas situaçÕes ok?  Beijos a todos com carinho, diretamente de Chicago! ***

 

 

 

 

 


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