12 de outubro – Dia das Crianças!

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Essa foto foi tirada exatamente no ano de 1979, quando fiquei diabética. Eu e minha irmã aprontávamos horrores na nossa “salinha colorida”. Assistíamos TV, brincávamos, brigávamos, como toda criança ativa e feliz. Eu a-do-ra-va posar para as fotos que minha mãe tirava (será que dá para perceber?)  e como fazia ballet (meus pais me colocaram no ballet depois que descobriram o diabetes), vivia fazendo poses, rs.

Por hoje ser um dia duplamente especial – afinal, hoje também é Dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida (moro ao lado da Igreja dela, em Moema / São Paulo – SP) – resolvi colocar dois posts sobre esses assuntos. Finalmente consegui sentar e escrever…Ufa!

Há alguns dias atrás, publiquei aqui as fotos do encontro de blogueiros da Roche. Naquele encontro ouvi blogueiras e mães super bacanas contando sobre a vida das crianças – a maioria usa bomba – e fiquei pensando na qualidade de vida fantástica, além da longevidade, que estas crianças terão, pois são super conscientes e muito bem acompanhadas por suas mães , que hoje felizmente são privilegiadas com a rapidez dos avanços tecnológicos e da tecnologia da informação. A internet , tablets, smartphones. Os trabalhos de associações, de laboratórios, tudo ajuda muito , os tratamentos evoluíram muito e muitas novidades vem por aí.

É claro que não me lembro de muitas coisas de quando eu era tão pequena, mas me lembro da falta de noção que eu tinha da necessidade de ser “diferente”, apesar de ser igual as outras crianças. E olha que eu realmente fui muito privilegiada. Meu pai era farmacêutico bioquímico, trabalhou a vida toda em Laboratórios Farmacêuticos, viajava mundo afora e trazia novidades para mim e minha mãe, que parou de trabalhar quando minha irmã mais nova nasceu, e ficava conosco em tempo integral com ajuda da super nanny, a “Teda”.

Eu adorava docinhos, não comia chocolate escuro, só branco, e sempre ganhava do “Coelhinho da Páscoa” meu ovo Galak. Como minha irmã não tem nada, minha casa sempre teve de tudo e naquela época não se fazia contagem de carboidratos. Resumo: quem tinha diabetes não poderia comer doces, pães, massas… um horror. Aí, como tudo era proibido, eu chorava, comia um pedacinho ou, perigosamente, comia escondido.

Hoje fico feliz de ver que as crianças e jovens não são mais proibidos de sentir o prazer dos quitutes…tudo com moderação é permitido. E a consciência mudou bastante. As crianças também só bem mais espertas e ligadas que as antigas. Já viram uma criança de 2 anos navegando no IPad?

Mesmo com os contratempo de não poder comer as coisas que queria, os brigadeiros, bolos e coca-cola, eu fui muito feliz. Meus pais compraram uma garrafa de pressão que injetava gás em bebidas (hoje em qualquer feira de antiguidades é possível encontrar a tal garrafa – vou procurar um foto e colocar aqui), colocavam no suco de uva Maguary e injetavam o gás – pronto, tinha uma Fanta Uva improvisada. Só não tinha o gostinho bom, porque o aspartame demorou um pouco mais pra chegar ao Brasil.

Claro que todos sabem que tenho complicações , e que hoje eu acompanho todos os meus “problemas” de perto. E sei que a maior culpada dos problemas que tenho hoje sou eu. Meus pais fizeram absolutamente tudo o que puderam, pra me ver bem, pra me dar qualidade de vida e alegria.  Brinquei, me machuquei seriamente algumas vezes (era mesmo um menino), cheguei até a comer bolinhas de Diabo Verde achando que era balinha. Mas fui criança de verdade.

Hoje presto minha homenagem a todas as criancinhas que vivem com o Diabetes e que são felizes como eu fui – ou que estão aprendendo a ser. Feliz Dia das Crianças!

Image                                    Com minha mammy e com minha irmã

Image                                   Pulando carnaval com os primos! 

Image                                                                 Na praia

Image                                       Brincando muuuuuuuuuuuuuito com os primos no Sítio!!!


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