Complicações do Diabetes

O que é hiperglicemia?

É a elevação dos níveis de glicose no sangue; glicemia acima de 160 mg/dl é considerada hiperglicemia e ocorre principalmente quando o tratamento medicamentoso está insuficiente diante as dieta e atividades diárias.

Pode ser causada por:
• Dose de medicação menor do que a necessidade
• Uso de medicação não adequada para determinado caso
• Abusos alimentares
• Na ocorrência de gripes ou infecções em geral
Sugestões para o tratamento dos diversos estados glicêmicos

Glicemia Lanche recomendado
120 – 180 mg/dL • Lanche usual, evitando achocolatado diet e suco de laranja
180 – 250 mg/dL • Bebida de baixo valor calórico, porção de bolacha ou pão, evitar frutas
acima de 250 mg/dL • Líquidos com baixo valor calórico, pequena porção de bolacha ou pão

 

Problemas de Saúde a longo prazo:

Altos níveis de glicose no sangue podem provocar alterações nos grandes e pequenos vasos sanguíneos e nos nervos. O Diabetes também pode diminuir a resistência do corpo no combate ás infecções. Pacientes diabéticos que mantém a glicemia elevada apresentam maiores risco de problemas oculares, doença renal, ataques cardíacos, derrame cerebral, pressão alta, má circulação, formigamento nas mãos e nos pés, problemas sexuais, amputações e infecções. O bom controle glicêmico pode ajudar a evitar todas estas complicações descritas.

Hipoglicemia

O principal objetivo do tratamento do Diabetes é normalizar a glicemia.
Para conseguir perfeito funcionamento metabólico, é preciso o equilíbrio entre dieta, exercícios físicos e medicamentos (insulina ou hipoglicemiantes orais).
A hipoglicemia é a queda excessiva de açúcar no sangue.
• O aparecimento dos sintomas é rápido, e os níveis de glicose no sangue estão abaixo de 70 mg/dI.

Causas da Hipoglicemia

• Excesso de exercícios físicos;
• Falta de uma refeição regular ou fora do horário;
• Pouca quantidade de alimentos;
• Vômitos ou diarréia; ou infecções em geral
• Administração de alta dose de insulina ou ingestão de maior quantidade de hipoglicemiantes orais;
• Consumo de bebidas alcoólicas.

Sintomas da Hipoglicemia:

• Fome súbita;
• Fadiga;
• Tremores;
• Tontura;
• Taquicardia;
• Suores;
• Pele fria, pálida e úmida;
• Visão turva ou dupla;
• Dor de cabeça;
• Dormência nos lábios e língua;
• Irritabilidade;
• Desorientação;
• Mudança de comportamento;
• Convulsões;
• Limitação do conhecimento.

Em caso de suspeita de hipoglicemia, você pode notar um ou mais desses sintomas. Ao detectar o(s) sintoma(s) deve-se proceder da seguinte forma:

  • Elevar o nível de açúcar no sangue imediatamente.
  • Se possível, verificar a  glicemia com tiras reagentes, que mede  o açúcar no sangue. Não é aconselhável fazer  teste na urina, pois o resultado não é confiável no momento da hipoglicemia.

Recomendações:
• Ingerir algum alimento, copo de leite, suco de frutas ou refrigerante. Se após 15 minutos os sintomas não desaparecerem, beber água com açúcar, comer chocolate, uma bala ou tabletes de glicose.
• O médico pode ainda indicar para estas situações o medicamento Glucagon injetável , que libera glicose no sangue
• O alimento deve ser dado, se o paciente estiver consciente e for capaz de engolir, nunca em caso de inconsciência.

Quando o diabético estiver inconsciente.

• Colocar no lado interno da bochecha, açúcar ou mel.
• Friccionar a parte interna da bochecha para facilitar a absorção.
Essas medidas devem ser imediatas; por isso você deve informar às pessoas que convivem com você: colega de escola ou trabalho, familiares e amigos. Eles podem salvar sua vida.
• Se após essas medidas, o diabético continuar inconsciente, leve-o imediatamente ao Pronto-Atendimento mais próximo, informando ao médico plantonista o antecedente de diabetes, os sintomas da hipoglicemia que apresentou e o que já foi feito até o momento. Seguramente, ele administrará glicose endovenosa e verificará a glicemia.
• Ao acordar, o diabético deve ingerir alimento de absorção lenta: um sanduíche, bolachas, uma fruta.

Como evitar a Hipoglicemia

• Programar suas atividades físicas;
• Ingerir alimentos extras antes de exercícios físicos;
• Cumprir o plano alimentar: horário, quantidade e qualidade dos alimentos;
• Informar seu médico imediatamente em caso de vômitos e diarréia, ou infecções agudas.
• Utilizar a medicação prescrita nas doses e horários indicados pelo médico;
• Evitar bebidas alcoólicas.

Em situações especiais: viagens, festas entre outras, intercale sua alimentação regular com lanches extras.

Complicações crônicas do diabetes mal cuidado

Os sintomas das complicações envolvem queixas visuais, cardíacas, circulatórias, digestivas, renais, urinárias, neurológicas, dermatológicas e ortopédicas, entre outras.

Sintomas visuais

O paciente com Diabetes mellitus descompensado apresenta geralmente turvação visual. As complicações, a longo prazo, envolvem redução da acuidade visual e visão turva que podem estar associadas a catarata ou a alterações retinianas denominadas retinopatia diabética. A retinopatia diabética pode levar ao envolvimento importante da retina, chegando a causar descolamento de retina, hemorragia vítrea e até cegueira.

Sintomas cardíacos

Pacientes diabéticos apresentam maior prevalência de hipertensão arterial, obesidade e dislipdemias.Em casos de tabagismo associado, o risco de doença cardivascular é ainda maior. A doença cardíaca pode envolver as artérias coronárias, o músculo cardíaco e o sistema de condução dos estímulos elétricos do coração. Como o paciente apresenta em geral também algum grau de alteração dos nervos do coração, as alterações cardíacas podem ocorrer sem que nenhum sintoma se manifeste, sendo descobertas apenas na presença de graus avançados de doenças cardiovasculares: o infarto agudo do miocárdio, a insuficiência cardíaca e as arritmias.

Sintomas circulatórios.

As alterações circulatórias se manifestam por arteriosclerose de diversos vasos sangüíneos e são freqüentes as complicações que obstruem vasos importantes: as artérias carótidas, aorta, ilíacas, e diversas outras das extremidades. Essas alterações são particularmente importantes nos membros inferiores (pernas e pés), que associadas às alterações circulatórias, dos nervos periféricos ( neuropatia periférica), infecções fúngicas e bacterianas e úlceras de pressão; compõem o chamado “pé diabético” que pode levar em estágios mais avançados à amputação de membros inferiores, com grave comprometimento da qualidade de vida dessas pessoas.

Sintomas digestivos.

Pacientes diabéticos podem apresentar comprometimento da inervação do tubo digestivo, com consequente diminuição da motilidade do trato gastro intestinal. Tais alterações podem provocar distensão abdominal,e vômitos com resíduos alimentares e diarréia. A diarréia é caracteristicamente noturna e ocorre sem dor abdominal significativa; freqüentemente associado com incapacidade para reter as fezes (incontinência fecal).

Sintomas renais.

O envolvimento dos rins no paciente diabético evolui lentamente e sem sintomas., e estes quando ocorrem já significam perda de função renal significativa. São exemplos: inchaço nas pernas e nos pés (edema de membros inferiores), pressão arterial de difícil controle, anemia e perda de proteínas pela urina (proteinúria), confusão mental e coma metabólico.

Sintomas urinários.

Pacientes diabéticos podem apresentar dificuldade para esvaziamento da bexiga devido à perda de sua inervação (bexiga neurogênica). Essa alteração pode provocar perda de função renal e funcionar como fator de manutenção de infecções urinárias de repetição. Nos homens, essa alteração pode associar-se com dificuldades de ereção e impotência sexual, além de piorar sintomas relacionados com aumento de volume da próstata.

Sintomas neurológicos.

O envolvimento de nervos no paciente diabético pode provocar neurites agudas (paralisias agudas) nos nervos da face, dos olhos e das extremidades. Podem ocorrer também neurites crônicas que afetam os nervos dos membros superiores e inferiores, causando perda progressiva da sensibilidade vibratória, dolorosa, ao calor e ao toque. Essas alterações são o principal fator para o surgimento de modificações na posição articular e da pele que na planta dos pés, ocasionando úlceras (“mal perfurante plantar”). Os sinais mais característicos da presença de neuropatia são a perda de sensibilidade em bota e luva. Ocorrem ainda deformidades como a perda do arco plantar e as “mãos em prece” e as queixas de formigamentos e alternância de resfriamento e calores nos pés e pernas; principalmente, à noite e chegando até ao aumento,diminuição ou ausência de sensibilidade nas extremidades.

Sintomas dermatológicos.

Pacientes diabéticos apresentam maior risco para infecções fúngicas de pele (tinha corporis, intertrigo) e de unhas (onicomicose). Nas regiões afetadas por neuropatia, ocorrem formações de placas de pele espessada denominadas hiperceratoses, que podem ser a manifestação inicial do mal perfurante plantar.

Sintomas ortopédicos.

A perda de sensibilidade nas extremidades leva a uma série de deformidades; como os pés planos por perda do arco plantar, os dedos em garra, e a degeneração das articulações dos tornozelos ou joelhos (“doença de Charcot”).

Fatores de risco relacionados ao desenvolvimento de diabetes:

• Obesidade, (inclusive a obesidade infantil).
• Hereditariedade
• Falta de atividade física regular
• Hipertensão
• Níveis altos de colesterol e triglicérides
• Uso de determinados medicamentos, à base de cortisona
• Idade acima dos 40 anos (para o Diabetes Tipo 2)
• Estresse emocional

O Pé Diabético

Os pacientes diabéticos devem cuidar muito bem dos pés.

Alto nível de glicemia pode afetar os nervos dos pés e causar problemas de circulação do sangue.
Quando os nervos dos pés e das pernas ficam afetados, a pessoa pode começar a ter sensação de formigamento e “ agulhadas”. Além do mais, pode perder a sensibilidade dos pés e não sentir dor, pressão ou alteração de temperatura.Se tiver uma lesão qualquer, pode não se dar conta dela imediatamente, ficando sujeita a infecções.

A infecção ou falta de circulação do sangue pode causar ate mesmo, necessidade de amputação.
Os sinais de falta de circulação do sangue incluem :

• Dor nas pernas ou nos pés, especialmente quando se pratica exercício físico.
• Dor ou sensação de cansaço nas pernas durante a noite.
• Feridas que não são curadas, pés inchados, de coloração azul ou planta dos pés ressecada e rachada.
Orientações para o cuidado dos pés:
• Verifique seus pés diariamente para ver se há bolhas, rachaduras, cortes ou pele seca entre os dedos ou na planta do pé e vermelhidão. Use um espelho ou peça ajuda de outra pessoa se você tiver dificuldade em ver seus pés.
• Comunique-se com seu médico caso encontre qualquer lesão.
• Lave os pés diariamente com sabão neutro e água morna.sempre controle a temperatura da água para garantir se não esta demasiadamente quente.Enxugue bem os pés, inclusive entre os dedos.
• Evite colocar os pés de “ molho”, pois poderá causar ressecamento.
• Use uma loção ou creme no dorso e planta dos pés ( exceto entre os dedos), especialmente nas áreas mais ressecadas.
• È melhor aparar as unhas dos pés com uma lixa, ou invés de cortá-las; sempre use a lixa cuidadosamente em linha reta de um lado para o outro.
• Antes de calçar meias e sapatos, verifique se não há nada dentro deles que possa eventualmente pressionar e machucar seus pés.
• Use sapatos confortáveis ( couro mole e sem costura,de preferência), que calcem bem e consequentemente não causem bolhas..Durante todas as estações do ano, você deve usar sapatos fechados, que oferecem maior proteção aos seus pés.
• Não ande descalço, mesmo dentro de casa.
• Use de preferência sempre meias de algodão, sem costura,pois ajudam a manter seus pés secos.Se sentir frio nos pés, use meias mais quentes.O elástico das meias não deve comprimir a região do tornozelo.
• Não use almofadas elétricas nem bolsas de água quente para esquentar seus pés.
• Se você tiver calos ou verrugas, procure um especialista para tratá-los, porém jamais tente remove-los sem orientação médica. Os produtos indicados para tal finalidade podem lesar a pele e causar infecções.

O cuidado com os pés é um item muito importante no controle do Diabetes. Seu médico ajudará você a desenvolver o melhor tratamento para cuidar de seus pés.

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