O quanto um relacionamento pode mudar nossa vida?

Muitos homens brincam muitas vezes dizendo que o casamento é o fim da linha. Muitas mulheres sonham em casar de branco em uma igreja com o homem de sua vida. Desencontros à parte sobre o assunto ( que é o que vi muito em toda a vida), há quem aprove esta instituição sim!

Mas, até que ponto o relacionamento – seja ele namoro, morar junto, casamento – pode mudar nossas vidas? E o quanto o Diabetes pode atrapalhar todo o processo?

casorio carrossel

Claro que esse assunto é MUITO particular, mas compartilhar a experiência com gente que está pensando no assunto, passando por isso ou até pensando em se envolver novamente pode ser uma forma muito positiva de expor um ponto do vista, sentimentos e até, ajudar os outros.

O Diabetes já foi um tabu para mim, que vivi muitos anos querendo ser uma pessoa “normal”. Tanta rebeldia, como muitos sabem, simplesmente me trouxe de bandeja as complicações que carregarei para o resto da minha vida. E hoje trabalho para que essa “mochila” fique mais leve, pra poder seguir em frente com o que adquiri de bom, deixando a poeira e o peso negativo para trás.

Já ouvi – e não foi uma vez apenas – que eu talvez nunca me casasse com ninguém pois “quem iria querer viver comigo por causa do Diabetes?”. Ou então “coitado do marido dela, ela é doente”. Filhos? Isso então é tabu. “Ela tem problemas”. Oi?

POIS EU DIGO QUE SUPEREI TODOS ESSES COMENTÁRIOS!

Terapia, meditação, muita fé, muita leitura, conversas intermináveis com quem realmente vale a pena ou tem conhecimento. Tudo me ajudou a ouvir e simplesmente deixar para lá o que não serve. Porque não me importa, hoje, no auge da minha maturidade, o que o terceiro está pensando. Só eu sei o que se passa dentro da minha cabeça e do meu coração. Não sou coitada, não sou doente. Simplesmente colhi o que plantei na rebeldia, fiz um mix dessas coisas e segui em frente. Existem razões maiores que o Diabetes para certas coisas terem ou não acontecido!

NOVE ANOS

E o que significa isso? HOJE, 19/04/2017, além de ser o dia do Indio e do Santo Expedito, é meu aniversário de 9 anos de casada com meu marido, Luiz.

Nos conhecemos por acaso, no tempo em que o Orkut bombava, e ele nunca, nunca, teve preconceitos a meu respeito por conta do Diabetes. Mas não sabia direito o que era, nem como agir.

Foi depois de uma hipoglicemia severa pela manhã, em que quase desmaiei no banheiro após o banho, ele passou a ter pânico de hipoglicemia. Tudo o que diz respeito a esse assunto apavorava o Luiz. Com o tempo, ele passou a lidar melhor com isso, principalmente com o uso da Bomba de Insulina, desde 2013.Temos noites mais confortáveis, ele dorme sem os sobressaltos de antes.

Passei a me cuidar mais pensando na família. Eu cuido da nossa alimentação, hoje preparo as refeições de casa. Cuido do que ele come, e do que eu coloco no prato. Incentivo o tempo todo a vida saudável. Praticamos esporte, gostamos desse lifestyle, e isso faz com o que o controle seja mais leve.

Isso não quer dizer que seja sempre assim fácil. É difícil você explicar para o seu ( sua ) parceiro ( a) que você quer dormir até mais tarde porque está mal, ou que não quer sair porque as glicemias estão teimosas e você está destruída. O maior desafio? Para mim, são os sintomas das glicemias muito altas ( quando temos infecções, ou temos que tomar corticoide por exemplo). Difícil entender uma pessoa que não está com cara de doente: simplesmente o corpo dói, estamos mal humorados, cansados, queremos paz. Talvez , os maiores desentendimentos ocorram por isso, pois – sem querer, e não só o marido, pessoas que convivem com a gente também não entendem! – como fazer para que essas pessoas nos compreendam? Será que eles de fato tem obrigação de nos entender o tempo inteiro????

Eu acho que não!!!! Eles não são diabéticos, psicólogos, médicos, enfermeiros, educadores!!! São parceiros, parceiras, e estão lá sempre que precisarmos. Mas também trabalham, tem sono, fome, medo, mau humor.

EU NÃO USO O DIABETES COMO UMA DESCULPA PARA TUDO, NEM PARA CHAMAR ATENÇÃO.

 

aline & luizinho (226)

Percebi, ao longo desses anos juntos, que muitas vezes preciso explicar o que está acontecendo, o porque de estar mal, ou de querer descansar. Não fico brava quando ele me cobra a glicose na bolsa: ele sabe que posso ter uma hipo dirigindo e preciso conseguir me socorrer quando não houver ninguém por perto.

É complicado as vezes, para algumas pessoas, se deixarem cuidar. Conheço pessoas assim. Ou então, há quem transforme o parceiro em muleta, em cuidador. Também não acredito que isso seja legal. Harmonia, sempre , é o melhor que se pode tentar ter ao longo da vida. Para tudo!

O relacionamento a dois me amadureceu, me deu mais segurança como mulher, como parceira, criou em mim, além de tudo, um senso de respeito ao outro que antes não sei se era muito claro para mim: se eu passar do ponto, vou atrapalhar nosso dia, nossa viagem, nosso fim de semana. E isso não é legal.

Respeitar o outro que te acompanha na vida é algo nobre, é bonito, fortalece a união. E automaticamente, você recebe em troca – sem pedir – o mesmo tipo de respeito. Deixa de ser um peso, uma obrigação , seu namorado / namorada perguntar se você tomou a insulina. Isso cabe a nós saber. Mas se ele perguntar, responda com alegria! É muito bom ter ao nosso lado alguém que queira nos ver bem para caminhar junto.

E para que essa caminhada seja longa e bela, só tem um jeito: se cuidar, cuidar do outro, e se deixar cuidar também. Pensem nisso!

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